um corpo para que nasça um deus.: desta vez não me culpo. a leitura míope das ausências torna a me fazer desejar não ter olhos.
Desfaço todos os abismos
E percorro, pacientemente,
As linhas de tuas mãos
Escondo pétalas no bolso
Me desabrocho em risos
Relampeja o olhar noturno
da poeta em dias de tempestade
aos afagos cadentes de mãos cautelosas
por entre cheiros
[caracóis do cabelo]
belo, azul e secreto - aconchego de ninho de pássaro
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tudo aquilo que diz sim ao que a gente quer é uma espécie de demônio.
pagu
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post antigo, mas reiterado pelo sentimento semelhante ao antigo
estranho mar de palavras febris
minha’lma salta pelos olhos
em busca de fôlego
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esse delírio rastejando. aos pés, doçura! essa cara de virgem maria consagrada não me diz nada. como não diz nada o céu dessa cidade, azul o céu caindo chuva e sol simultaneamente. ou a confusão é simultânea e acho que não me diz nada essa cara. ou sou eu que não sei dizer e te culpo. seja a inquisição diária aos olhos dos arredores. há sempre facas e lanças, e essa cara de virgem não diz nada.” deus salve sua beleza”. mas diga-me algo, algo que não seja isso.
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é preguiça de mentir
- vazio -
canso.
trem partido sem rastros ponteiros parados não param o tempo
toma um fio, faz um caminho pra mim de olhos vendados.
é preguiça de
- mentir -
vazio esse caminho de fios entre os ponteiros.
é de mentir
- preguiça -
com os olhos vendados pelo trem partido.
ido
- é o tempo fio e vazio.
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I.
por onde andará aquela tarde folhas brancas? um olhar domesticado braços deitados sobre a janela de ar. efeito luz quem mora embaixo das batinas escuras? é sempre um desmantelo dentes amarelos fumo de corda elástico.
II.
chicote lampião sorriso de raio de sol acordando. cheiro de chuva lateja no quintal do mês passado. só uma fumaça de madeira mora no cabelo daquela árvore. “paisagem em movimento” – roubo daquela poeta j. deixa, poeta? deixa roubar centelhas com gosto de uva. escorrer corpo abaixo.
III.
sentinela barco furado vai voar até o fundo do céu. atiraste uma pedra e quem ganhou nos dados perdeu a sorte. onde andará aquela tarde? na aquarela. a fotografia mora na tigela da retina.
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uma ferida jovem sob os olhos da loucura
repentinamente se arma contra a cura
ou a doença habita no instante anti-tempo
de que a juventude detém.
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um arremesso. se mais uma janela se abrir. a decisão é pular. e não simplesmente encaminhar os pés um após outro naquele tanto espaço destinado a isso. maçanetas na altura das mãos. recuso esses traços prontos. migalhas pontilhando o chão. acho que elas vão até aquela praça lá em cima. pombos demais. gosto quando voam todos de uma só vez. mas estou em silêncio, então os pombos ficarão lá buscando coisas pra comer- como todo mundo faz. o tempo inteiro. a fome não cessa. e milagres não existem.
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estico a mão contra a luz como se pudesse arrancar uma canção das peles que moram entre os dedos. mas ali habita uma velhice silenciosa e cheia de rugas que mais parecem ruas antigas. e procurando ainda, deve haver uma casinha. de paredes estreitas dessas que moram em ruas antigas e tem janelas pequenas. perco horas nas sombras. coisas de caminhar entre-rugas.
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