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Arquivo da categoria ‘Uncategorized’

Bolor

Atiro-me.
Des-ato.
Grito.
Invejo o acreditar.
Da última vez era.
a incerteza confessada, e agora
    com um dizer engasgado;  aquela maldita frase reverberando.
 um grito num corredor vazio.
A voz rouca.
“Acredito, acredito.”
 
O meio-amor não me interessa
:medida angular para o incomensurável.
Desisto.
 outubro pariu um amor minotauro.
aos ferros e fogos,
o consumado labirinto compartilhado.
 
Amanhece.
O desenho do bolor no pão.
esse mesmo que os diabos amassam.
  – e [...]

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Longe(s)

e então nada fale, hospitaleira lente do oco do olho.
habitando o fundo de um vulcão
a mulher do silêncio-luz,
absorta e desenhada em nuvens.
olha sou eu, sob a neve de papel
essa canção me mantém distante
o Longe(s) tão desejado
o hiato,                                   
             entre lugares-coisas-pessoas
será que virá alguma carta pra mim?
um permanecer de cada vez 
sopro contra acaso, digo e repito
contracaso
amanhã, talvez
como [...]

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trânsito

sinal vermelho
sinal verme
sinal ver
sinal vê.

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duas amigas. elas conheceram três caras hoje – provavelmente fugindo de outros caras, pelo que entendi na conversa – mas estes eram legais. trocaram telefones e uma das amigas foi embora. a que ficou, o tempo inteiro fazia charme, e danou-se a falar daquela. “somos super parceiras e saímos pra encontrar juntas o ex-namorado da [...]

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Cortázar

“-Estaba al borde de un cantero, una flor amarilla cualquiera. Me había detenido a encender un cigarrillo y me distraje mirándola. Fue un poco como si también la flor me mirara, esos contactos, a veces… Usted sabe, cualquiera los siente, eso que llaman la belleza. Justamente eso, la flor era bella, era una lindísima flor. [...]

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a poeta e o pintor

poetas enamorados cantam cores:
entre o azul-noite e o roxo, o amor se esconde
por entre trilhas indecifráveis ao escurecer
o amarelo-sol encerra o encanto da lua:
desvanece outras estrelas
 
eis o florecer-rosa de encarnadas pétalas:
abrir os poros e entregar-se a tentações
violeta-febril em noites de calor
a transgressão parindo paraísos ancestrais
 
musgos celebram última ceia
paixões-margem à beira do rio
fundo do mar-desejo:
mundo de [...]

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o mundo irreconhecível, coisas ainda sentidas. meandros das falas-mortas.

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o gato deita-se na cadeira. meu cansaço e a partida eminente. a pergunta que mora nas pontas do dedos.: e por acaso, perder-se deixar-se esquecer é uma eterna ida que retorna sem dizer olá? fumo mais um cigarro e espero o tempo, filho do caos. o mundo inteiro passeia ao som de blues. a [...]

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e quanto pesa o abandono? o mundo inteiro suportaria nos ombros, como o Drummond; mas o abandono? o que, além de uma casa vazia e um lençol enxuto com cheiro de lavanderia?
o castigo, meu bem. para o abandono do mundo nas centelhas de esquinas dos olhos. para o autoexílio. para o recolhimento na fumaça e [...]

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tirinha

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