Cidades sobrepostas (ou Como ser fantasma em terra de ninguém)

A meio caminho da metade da ilha: estou cercada por fantasmas.

Caminho todos os dias e nenhum descaminho dá no mar. Não há também faroleiros por aqui. Há rostos, vultos, pegadas de gente que juro que um dia conheci. Um frenesi, um vestígio de samba, um antigo bar de rock, uma fruta cá outra lá, acho que não lembro o gosto dessa. Nem nome, nem cheiro e muitos mendigos. Há anos revisito esse lugar e talvez por isso o desconheça tanto. Há um abismo entre a familiaridade de onde eu vim e essa não-repetição que acontece todo dia. Parece que os recantos são todos invisíveis. Parece que o fantasma sou eu. Parece que há escondido um céu benigno e uma fresta de luz pra amainar o frio, mas eles não vem. Parece que meu passado aqui foi apenas um solstício de inverno pra uma alma equatoriana: – O que os poetas queriam dizer sobre o outono nos seus prólogos?

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Uma resposta para Cidades sobrepostas (ou Como ser fantasma em terra de ninguém)

  1. Manu Castro disse:

    Aqui encontrei o desencontro. Noites das pontes solitárias. Nada daquelas festanças, daqueles sorrisos grátis, dos rostos cuja chegada proporcionava alegria… Nem rastro do sotaque de quem carrega a cidade no peito, nem sinal daquela gente que tem orgulho de ser de onde é.
    Aqui encontrei a saudade daquela que já foi minha.
    Um nó na garganta. E o coração vez por outra APERTA.
    A pergunta é: Por que a areia dessa terra não fere a pele que protege minha patela?
    “Parece que o fantasma sou eu.”

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