poetas enamorados cantam cores:
entre o azul-noite e o roxo, o amor se esconde
por entre trilhas indecifráveis ao escurecer
o amarelo-sol encerra o encanto da lua:
desvanece outras estrelas
eis o florecer-rosa de encarnadas pétalas:
abrir os poros e entregar-se a tentações
violeta-febril em noites de calor
a transgressão parindo paraísos ancestrais
musgos celebram última ceia
paixões-margem à beira do rio
fundo do mar-desejo:
mundo de corais alaranjados
a nostalgia sempre invoca um dilúvio
traz de volta o turquesa de céu passado:
maciez de tez-nuvem
e os sonhos renascem
no verde-grama o pular dos grilos:
brindam amarelinhas e saúdam pedrinhas
o verde-devaneio aceso
culmina nos vermelhos-olhos
assassina alma-cinza
e ressuscita silêncio
a prece enaltece o luto:
paisagens de lamentos-parafina
enquanto a poesia existir
é cedo para lágrimas
Sim. Seguro as lágrimas até você ir, poesia febril.
a poesia já costuma ser as lágrimas
cantinho bom esse aqui…