é preguiça de mentir
- vazio -
canso.
trem partido sem rastros ponteiros parados não param o tempo
toma um fio, faz um caminho pra mim de olhos vendados.
é preguiça de
- mentir -
vazio esse caminho de fios entre os ponteiros.
é de mentir
- preguiça -
com os olhos vendados pelo trem partido.
ido
- é o tempo fio e vazio.
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I.
por onde andará aquela tarde folhas brancas? um olhar domesticado braços deitados sobre a janela de ar. efeito luz quem mora embaixo das batinas escuras? é sempre um desmantelo dentes amarelos fumo de corda elástico.
II.
chicote lampião sorriso de raio de sol acordando. cheiro de chuva lateja no quintal do mês passado. só uma fumaça de madeira mora no cabelo daquela árvore. “paisagem em movimento” – roubo daquela poeta j. deixa, poeta? deixa roubar centelhas com gosto de uva. escorrer corpo abaixo.
III.
sentinela barco furado vai voar até o fundo do céu. atiraste uma pedra e quem ganhou nos dados perdeu a sorte. onde andará aquela tarde? na aquarela. a fotografia mora na tigela da retina.
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uma ferida jovem sob os olhos da loucura
repentinamente se arma contra a cura
ou a doença habita no instante anti-tempo
de que a juventude detém.
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um arremesso. se mais uma janela se abrir. a decisão é pular. e não simplesmente encaminhar os pés um após outro naquele tanto espaço destinado a isso. maçanetas na altura das mãos. recuso esses traços prontos. migalhas pontilhando o chão. acho que elas vão até aquela praça lá em cima. pombos demais. gosto quando voam todos de uma só vez. mas estou em silêncio, então os pombos ficarão lá buscando coisas pra comer- como todo mundo faz. o tempo inteiro. a fome não cessa. e milagres não existem.
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estico a mão contra a luz como se pudesse arrancar uma canção das peles que moram entre os dedos. mas ali habita uma velhice silenciosa e cheia de rugas que mais parecem ruas antigas. e procurando ainda, deve haver uma casinha. de paredes estreitas dessas que moram em ruas antigas e tem janelas pequenas. perco horas nas sombras. coisas de caminhar entre-rugas.
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um gemido de pensamento. o teor residual de todas as manhãs de desejo. tudo o mais que puder tocar sem possuir. esteve ao alcance, mas as cortinas se movem e as sombras já não tão invisíveis passeiam pelo chão.
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quem sabe o Sol – um possível
permaneça em pé
quando próximo vento soprar.
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perdi cabelos enquanto ouvia a orquestra
era nada singelo. dolorido, até;
mas aquele peso nas costas
insuportáveis unhas fincadas em portas de madeira.
e mãos presas ao redor dos olhos -
uma máscara risível.
sou um deus e tenho corpo que se dobra pra dentro.
possuo a pele, cheiro de maquiagem velha
.
ou não, sapatos molhados no canto da parede:
a chuva ficou presa lá – entre o joelho e o mofo do inverno.
e lá. lá ficaram os olhos, aquelas mucosas embriagadas.
ao que faz chover e mata.
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onde agoniza o suspenso?
é passada a hora do pecado
e eis aqui, este o-que-vir-a-ser
de mãos carregando espirais.
chovia sob seus pés
e apagava os rastros
[o tempo carregava-lhe a voz]
era uma esquina de suspiro
um pedaço de vontade:
- asas da insônia de todos os dias.
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isso é muito sério: sólida essa coisa-medo.
medo-coisa é substância.
pedaço de pedra pendurado aqui.
se a civilização não existisse
teria só medo-coisa de bicho
de gente, não!
em que momento transpira, coisa-medo?
bicho sente cheiro de medo-coisa
queria, gente, sentir também.
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